A Polícia Federal apreendeu, na manhã desta segunda-feira (29), um computador da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) com o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos). O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro é alvo de uma operação que investiga o monitoramento ilegal de autoridades por parte da Abin durante a gestão do ex-diretor-geral Alexandre Ramagem (PL). A informação foi divulgada pela GloboNews. Um outro computador da agência também teria sido apreendido na casa de um dos assessores de Carlos Bolsonaro, que é casado com uma funcionária da Abin. Em nota, a entidade informou que iniciou a apuração sobre o caso.

Segundo as investigações, Carlos Bolsonaro é “a principal pessoa da família que recebia informações da Abin paralela”. É apontado, ainda, que teria partido dele a ideia de criar esse grupo, para usar a estrutura da agência.

Através das redes sociais, Fabio Wajngarten, advogado e assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, disse que ele, os filhos e os amigos saíram para pescar às 5h, antes da chegada da PF em Angra dos Reis, na Costa Verde. Wajngarten negou a informação de que foi encontrado um computador da Abin com o vereador. 

Estão sendo cumpridos nove mandados de busca e apreensão em Angra dos Reis, Rio de Janeiro, Brasília, Formosa/GO e Salvador. No Rio, agentes da corporação estiveram no gabinete do vereador na Câmara Municipal do Rio, em sua residência, na Barra da Tijuca, Zona Oeste, e na casa de praia da família Bolsonaro, em Angra dos Reis, Costa Verde do RJ. De acordo com a PF, o objetivo é identificar os principais destinatários e beneficiários das informações produzidas ilegalmente no âmbito da Abin, por meio das ações clandestinas. A polícia investiga, ainda, se o filho do ex-presidente recebeu algum material obtido ilegalmente pela agência.

A ação é um desdobramento das investigações da Operação Última Milha, deflagrada em outubro do ano passado. Segundo as investigações, o grupo criminoso criou uma estrutura paralela na Abin e utilizou ferramentas e serviços da agência para ações ilícitas, produzindo informações para uso político e midiático, para a obtenção de proveitos pessoais e até mesmo para interferir em investigações da Polícia Federal.

Segundo a corporação, a Abin fez 33 mil monitoramentos ilegais durante o governo Bolsonaro. Do total, 1,8 mil foram destinados à espionagem de políticos, jornalistas, advogados, ministros do STF e adversários da gestão do ex-presidente. Na última quinta-feira (25), Alexandre Ramagem foi o alvo da operação. O deputado comandou a agência durante o governo do Jair Bolsonaro (PL) e é pré-candidato à prefeitura do Rio com o apoio do ex-presidente.

De acordo com os investigadores que acompanham o inquérito, a PF recolheu dados dos telefones funcionais de servidores e de computadores da agência. Essas informações apontam Ramagem como o responsável por autorizar a espionagem ilegal de autoridades.

*Com informações da Agência Brasil

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